sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Tarô de Marselha — O Enforcado (Penitência)

O Enforcado (Penitência)
O Arcano da Fé, da Aspiração Espiritual.


Descrição da simbologia — Simboliza a sujeição e o sacrifício a tudo o que é antinatural, nos domínios do micro e do macrocosmos, em nome de um ideal. 
O arcano doze — número de expiação e salvação espiritual — apresenta a imagem de um personagem de cabeça para baixo, suspenso por um pé que está amarrado, por uma corda, a uma viga apoiada entre duas árvores, cada uma com seis ramos cortados. 
É um dos simbolismos mais complexos de todo o tarô. 
A suspensão no espaço e sacrifícios semelhantes entram nas práticas cultuais de muitos povos da humanidade: infligia-se esse martírio aos cristãos dos primeiros séculos. 
Está também relacionada à ideia de levitação, voo onírico, proveniente de um isolamento místico. A posição invertida traduz por si mesma a ideia de purificação, por subverter a ordem terrena ou natural. 
Os doze ramos cortados fazem alusão à extinção das doze principais expressões da vida humana, simbolizadas no zodíaco. 
Relacionado ao signo de Peixes, o Enforcado representa aquele que, em vez de viver a vida da terra, vive num mundo de sonho idealista.

Representação abstrata — Tensa expectativa em consequência da descida às profundezas da vida e do eu. A oscilação é a dor por um desejo não satisfeito. 

No sentido positivo: capacidade de participar dos sofrimentos dos semelhantes, dar sem pensar em recompensas; direção sábia por parte do inconsciente, agilidade mental; perdão aos inimigos, adaptação às circunstâncias, tentação material vencida, sacerdócio; ânimo para deixar de lado considerações práticas e submeter-se apenas ao eu interior, idealismo, atividade intensa da alma, perfeição moral, abnegação, sacrifício voluntário por uma causa elevada, liberação do egoísmo instintivo, esquecimento de si mesmo, desinteresse absoluto; intervenção a distância, telepatia, tesouros espirituais. 

Sentido negativo: falta de sentido prático, projetos irrealizáveis, falta de determinação; ilusões, indecisão, impotência para agir no mundo concreto; excesso de confiança, desejos generosos mas estéreis; o artista que concebe a beleza mas não sabe traduzi-la em obras, projetos ocultos e duvidosos; evasão psíquica, vacilação, luta interior que cede à fuga psicológica.

Interpretações divinatórias — No sentido material, uma das piores cartas do tarô, indicando sempre que o consulente tomou uma direção errada. 

No plano mental: hesitação, perturbação da consciência, falta de uma visão clara; recomenda a necessidade de recuo, de interrogar sobre o caminho a seguir e de encaminhar-se para uma nova direção. 

No plano anímico: libertação através de um sacrifício; se no plano físico equivale a uma perda, no espiritual significa um ganho, pelo abandono daquilo que impedia, obstruía e levava à indecisão e falta de vontade. 

No plano físico: cegueira, no caso de amor; fraude, no plano das associações; no casamento significa adultério, traição, abandono; fuga e desagregação, decepção, armadilhas no caminho, ingratidão. 

Recomenda compreender as adversidades como resultado de um falso julgamento da situação, pois aquilo que o consulente deseja não tem o valor que lhe atribui.


RESUMO: 

Significado abstrato: harmonia do Universo. 

Significado prático: carta ruim, que sempre indica renúncia a alguma coisa, destruição, projetos incertos. 

Em posição invertida: nessa posição, O Enforcado fica “de pé”, o que significa um possível sucesso no plano sentimental, mas um sucesso dúbio, sem prazer nem alegria. 
Falta de franqueza, planos ocultos, hipocrisia. 

Moral: Subestimação. Infidelidade. Amor não correspondido. Medo. 

Físico: Trabalho duro. Cansaço. Sono frequente.


Com as Cartas: 

  • V (O Sumo Sacerdote): Possível aperfeiçoamento. 
  • X (A Roda da Fortuna): Má sorte. 
  • XIII (A Morte): Após A Morte, ambas em posição normal: morte com más consequências, perda de herança. Antes da Morte, ambas em posição normal: morte provocada pelo mal ou resultante de crime. No domínio da mente, significa renúncia.
  • XIV (A Temperança): Após A Temperança, ambas as cartas em posição normal: indecisão provocada pela hipocrisia. Antes da Temperança, ambas em posição normal: o mesmo significado. 
  • XV (O Diabo): Espera inútil. Esperança vazia. Antes do Diabo, ambas em posição normal: uma força moral surge para dominar os acontecimentos, como resultado de sacrifício e renúncia. Essa combinação também indica satisfação e força muito grande. Após O Diabo, ambas em posição normal: o resultado de uma união (no plano físico) jamais será favorável se não houver o sacrifício espiritual. 
  • XX (O Julgamento): Solução inesperada para um problema sério. Ajuda. 
  • XXI (O Mundo): Bondade e proteção. 
  • O Louco: Infelicidade.




Lucia


Extraído de:
Tarô de Marselha – Revista Almanaque Planeta Tarô, 6ª Edição, Jul/1989.

Fonte primordial:
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